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Centella asiática: a erva-tigre, e o que a cica faz mesmo

Creme reparador de barreira com ceramidas e CICA — centella asiática

Centella asiática (cica): para que serve na pele? Em algumas fórmulas cosméticas, a Centella asiatica pode ajudar a hidratar, a aliviar o desconforto da pele sensibilizada e a apoiar a função de barreira. A investigação é promissora, mas os resultados dependem do extrato, da concentração e da fórmula: o nome «cica» no rótulo não garante o mesmo efeito em todos os produtos.

Não é um tratamento autónomo para acne ou rosácea. Compostos como o madecassósido e o asiaticósido ajudam a explicar o interesse por esta planta na K-beauty. Se um produto também contiver esfoliantes, como BHA, introduza-o gradualmente, mesmo que inclua centella. A seguir explicamos o que está estudado, as limitações e como ler a lista de ingredientes.

A planta

A Centella asiatica é uma herbácea rasteira, de folhas pequenas e redondas, que cresce em zonas húmidas da Ásia tropical — Índia, Sri Lanka, Vietname, Tailândia, Indonésia — e também em partes de África e da Austrália. Tem outros nomes: gotu kola, e comercialmente erva-tigre.

Não é só um ingrediente de cosmética. No Sudeste Asiático come-se: em saladas, em sopas, e em bebidas frescas que se vendem na rua. É uma planta de uso corrente, não uma raridade de laboratório.

Porque «erva-tigre»

A história conta que os tigres feridos se rolavam sobre estas folhas para sarar. É folclore — e vale a pena dizer que é folclore, porque é vendido muitas vezes como se fosse prova.

O que é verdade é mais sóbrio e mais convincente: a centella é usada há séculos na medicina tradicional indiana e chinesa no tratamento de feridas. Foi essa utilização antiga que levou a investigação moderna a estudá-la — e, ao contrário de tantas plantas com história bonita, esta aguentou o escrutínio.

Os quatro compostos

O que faz o trabalho são quatro substâncias, e os nomes valem a pena porque aparecem nos rótulos:

  • Madecassósido
  • Asiaticósido
  • Ácido asiático
  • Ácido madecássico

Um extracto normalizado nestes compostos é usado em contexto farmacêutico, em produtos de cicatrização. É esse o fundo da centella: não vem da cosmética, vem da farmácia, e a cosmética foi buscá-la depois.

O que faz na pele

Esta é das plantas em que se pode falar com mais à vontade, porque a base é séria:

  • Ajuda a reparar a barreira. É a sua função principal, e a mais útil. Pele com a barreira fragilizada — por excesso de ácidos, por retinóides, por limpeza agressiva — tende a recuperar o conforto mais depressa com centella.
  • Acalma a pele. Ajuda a reduzir a vermelhidão e é bem tolerada em pele reactiva.
  • Estimula a produção de colagénio, pelo menos em laboratório. É a base do uso em estrias e marcas, com resultados modestos.
  • Antioxidante e hidratante, por acréscimo.

O que não faz: não é tratamento de acne, não substitui activos, e não cura rosácea — ajuda a acalmar, que é outra coisa.

Porque é que a K-beauty a adoptou

Não é moda por acaso. A abordagem coreana põe a barreira em primeiro lugar: em vez de atacar a pele com o activo mais forte possível, cuida-se do que a protege e só depois se trata. É exactamente a função da centella.

A lógica das camadas está explicada em ritual K-Beauty, e esta planta é talvez o seu melhor exemplo. A rotina passo a passo, e o que há de mito nos famosos dez passos, está em skincare coreano.

Cuidado com a palavra no rótulo

Aqui vai o aviso prático.

«Cica» tornou-se uma palavra de marketing. Aparece em frentes de embalagem de produtos cuja lista de ingredientes tem centella no fim, em quantidade simbólica — o suficiente para o nome, insuficiente para o efeito.

O que procurar na lista INCI:

  • Centella Asiatica Extract ou Leaf Extract, e não lá muito no fim da lista
  • Melhor ainda, os compostos nomeados — Madecassoside, Asiaticoside — sinal de extracto normalizado
  • Desconfiar de «cica» em letras grandes sem nada disto atrás

Se quiser o método completo para ler uma lista de ingredientes, está em como ler um rótulo INCI.

Com que combina

Praticamente com tudo, e é aí que ela brilha — é uma planta de acompanhamento.

  • Com retinóides — amortece a irritação da fase inicial
  • Com ácidos — nas noites de descanso, ajuda a repor a barreira
  • Com niacinamida — os dois trabalham a barreira, por vias diferentes
  • Depois do sol — para pele sensibilizada, é uma escolha suave

Se esfoliou de mais e tem a pele a arder — o quadro que descrevemos em pontos negros e poros dilatados — é este o ingrediente da recuperação.

Perguntas frequentes

Cica e centella são a mesma coisa?

São. «Cica» é abreviação comercial, e também alude a cicatrização.

Serve para pele oleosa e com borbulhas?

Serve, e é bem tolerada. Mas acalma a inflamação — não desobstrui o poro. Para isso é preciso um BHA.

Ajuda em cicatrizes de acne?

Em marcas recentes e vermelhidão residual, pode ajudar. Em cicatrizes com relevo, formadas há muito, não — isso é matéria de dermatologia.

Pode usar-se todos os dias?

Pode, de manhã e à noite. É dos ingredientes mais bem tolerados da cosmética.

E na gravidez?

Em uso tópico é geralmente considerada segura; por via oral é outra conversa. Confirme com o seu médico.

Produtos mencionados neste guia

Na nossa prateleira, a centella aparece em dois papéis: no tónico, acompanha o tea tree e o BHA e acalma o que os ácidos podem irritar; no creme, acompanha as ceramidas a repor a barreira.

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Outros guias: rosácea e vermelhidão, para quem procura a centella por causa da vermelhidão, e ginseng, o outro clássico da K-beauty. Os restantes ingredientes estão no índice do Diário.

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