Portes de 3,90 €; gratuitos a partir de 30 €.
Antes de ser um óleo de cosmética, este foi o óleo com que se fez perfume em Alexandria, se maceraram flores em Grasse e se lubrificaram relógios. Sempre pela mesma razão, e é uma razão pouco glamorosa: não cheira a nada e não rança.
Numa indústria que vende histórias, esta é das poucas que se pode contar sem exagerar.
A árvore
A Moringa oleifera vem do sopé dos Himalaias, no noroeste da Índia, e cresce hoje em quase todos os trópicos. Em inglês chama-se drumstick tree, pelas vagens longas e finas que dá.
É uma árvore de utilidade quase indecente: comem-se as folhas, as vagens e as flores, as sementes usam-se para clarificar água turva, e do interior dessas sementes prensa-se o óleo. Poucas plantas dão tanto por tão pouca água.
O nome estranho
Este óleo chamou-se durante séculos óleo de ben, e o nome não vem de lugar nenhum: vem de um ácido gordo.
O ácido behénico foi identificado pela primeira vez em 1848, na Jamaica, e baptizado a partir do próprio óleo. É um ácido gordo saturado de cadeia muito longa — vinte e dois carbonos — raro nos óleos vegetais comuns, e no óleo de moringa representa cerca de 8,6%.
É um daqueles casos em que a química foi baptizada pela planta, e não ao contrário.
Porque é que os perfumistas o escolheram
Aqui está a história a sério, e explica a natureza do óleo melhor do que qualquer lista de benefícios.
Para capturar o perfume de uma flor delicada — jasmim, tuberosa, flor de laranjeira — o método antigo era pôr as pétalas em contacto com uma gordura, que ia absorvendo o aroma. Chama-se maceração, e a versão a frio chama-se enfleurage.
Para isso é preciso uma gordura com duas qualidades muito difíceis de juntar: não pode ter cheiro próprio, senão contamina o que quer capturar; e não pode rançar, porque a gordura oxidada cheira mal e estraga meses de trabalho.
O óleo de moringa tem as duas. Por isso:
- Teofrasto, no século IV a.C., defendia-o expressamente.
- Na Alexandria egípcia foi central na produção de perfumes.
- Em Grasse, a capital francesa da perfumaria, usou-se como óleo de maceração até à década de 1870.
Dois mil anos a ser escolhido por profissionais para os quais o cheiro é o ofício. É um atestado de neutralidade que nenhuma embalagem consegue melhorar.
E os relojoeiros
Pela mesma estabilidade, o óleo de ben ganhou fama como lubrificante de mecanismos delicados — incluindo relógios. Um óleo que oxida engoma as engrenagens; este não oxidava. Foi mais tarde substituído por óleo de espermacete, mas a reputação era merecida.
É um pormenor que diz tudo sobre o que se está a pôr na cara: um óleo escolhido, durante séculos, por gente que precisava que ele durasse.
A composição
- Ácido oleico — 65,7%
- Ácido palmítico — 9,3%
- Ácido behénico — 8,6%
- Ácido esteárico — 7,4%
Um óleo dominado por oleico, com muito pouco poli-insaturado — que é o que oxida — e uma fracção pouco comum de behénico. Daí a longevidade que a história toda documenta.
Para efeitos de escolha, o comportamento é próximo do da marula: emoliente, nutritivo, indicado a pele seca. No extremo oposto está o óleo de nigela, rico em linoleico, para pele oleosa.
O que faz na pele
Sem exagero: é um bom emoliente. Repõe lípidos, trava a evaporação da água, deixa a pele macia. Absorve com relativa rapidez para um óleo rico em oleico e não deixa película pesada.
Tem ainda um uso que os outros óleos desta lista não fazem tão bem: limpeza. Um óleo neutro e estável dissolve maquilhagem, protector solar e o sebo do dia, e retira-se com um pano húmido e morno. É a base da chamada primeira limpeza, e a moringa é boa candidata precisamente por não ter cheiro.
Uma nota sobre a palavra moringa
A moringa foi transformada num superalimento e vende-se hoje em cápsulas, pós e chás com promessas que vão da energia à imunidade. Nada disso se transfere para um óleo aplicado na pele.
São coisas separadas: uma literatura sobre folhas ingeridas e outra, bem menor, sobre o óleo das sementes em uso tópico. Um estudo sobre um chá não diz nada sobre um frasco de óleo, e quem junta as duas coisas na mesma frase está a vender-lhe uma inferência, não um facto.
O que se pode dizer com segurança sobre este óleo é o que está acima: composição, estabilidade, comportamento emoliente, e dois mil anos de uso documentado por quem precisava que ele não se estragasse.
Perguntas frequentes
Serve para o rosto?
Serve, sobretudo em pele seca e como óleo de limpeza. Em pele oleosa, prefira um óleo rico em linoleico.
Como se usa para desmaquilhar?
Sobre pele seca, sem água. Massaje até dissolver a maquilhagem, e retire com um pano húmido e morno. Depois, se quiser, uma limpeza suave por cima.
Tem cheiro?
Praticamente nenhum, e é essa a sua característica mais antiga. É o óleo indicado para quem não tolera aromas.
Quanto tempo dura?
É dos mais estáveis que existem, pela baixa proporção de poli-insaturados. Ao abrigo da luz e do calor, aguenta muito bem.
É o mesmo que óleo de sementes de moringa em cápsulas?
Pode ser a mesma matéria-prima, mas um cosmético e um suplemento não são a mesma coisa nem seguem o mesmo enquadramento. Suplementos falam-se com um médico.
Serve para o cabelo?
Serve, nas pontas e em quantidade mínima. Pela neutralidade de cheiro, é dos poucos que não interfere com o perfume do resto da rotina.
O nosso óleo de moringa oleifera biológico é do Comptoir des Huiles, prensado a frio — um único ingrediente na lista: óleo de sementes de Moringa oleifera.
Se quer usá-lo para limpar, veja também a colecção de limpeza. E se prefere escolher pela composição, os outros de um só ingrediente estão nos óleos vegetais puros — o método para ler a lista está em como ler um rótulo INCI.
