• Publicado em

Ginseng: a raiz que demora seis anos, e o que faz à pele

Creme de dia reafirmante com ginseng preto coreano fermentado

Há poucas plantas com uma reputação tão pesada como o ginseng. O nome científico já é uma promessa: Panax vem do grego panákeia — cura de tudo. Quando um ingrediente começa com esse nome, convém desconfiar do que se diz a seguir.

Vale a pena separar a história, que é fascinante, do que se pode mesmo afirmar sobre a pele.

De onde vem

O Panax ginseng — ginseng coreano — cresce na península coréana e na Manchúria, em solo frio e sombrio. É usado na medicina tradicional da região há mais de dois mil anos, e na Coreia não é um ingrediente entre outros: é uma cultura nacional, com denominações, classificações e um mercado histórico próprio.

A raiz tem, com alguma imaginação, forma de corpo humano — tronco, braços, pernas. Essa semelhança alimentou durante séculos a ideia de que servia para tudo o que ao corpo dissesse respeito. É folclore, e não é argumento. O que sustenta o ginseng hoje são os compostos que tem dentro, não o formato.

Os seis anos

Esta é a parte que explica o preço.

O ginseng de qualidade só se colhe ao fim de seis anos debaixo da terra. Antes disso a raiz existe, mas a concentração dos seus compostos activos ainda não está no ponto. São seis anos de campo ocupado, de risco de doença e de clima, sem colheita nenhuma pelo meio.

E há mais: depois de uma cultura de ginseng, o terreno fica esgotado e não se replanta lá ginseng durante muitos anos. Cada colheita obriga a ter terra em espera.

Quando vir ginseng barato numa lista de ingredientes, pense nesta conta.

Branco, vermelho, preto — a mesma raiz

Esta é a confusão mais comum, e a distinção é simples: não são variedades diferentes, é processamento diferente.

  • Branco — a raiz descascada e seca ao sol. O tratamento mínimo.
  • Vermelho — cozida a vapor e depois seca. O calor altera a composição e cria compostos que a raiz fresca não tem.
  • Pretonove ciclos de vapor e secagem, um a seguir ao outro. A raiz escurece, e a repetição concentra determinados compostos muito acima do inicial.

Nove ciclos não é um número de marketing — é tradição antiga, e cada passagem transforma um pouco mais a raiz. É um processo lento e caro, e é essa a razão de existir ginseng preto.

E fermentado?

A fermentação usa microrganismos para partir os compostos do ginseng em moléculas mais pequenas. Moléculas mais pequenas atravessam melhor a pele — e num cosmético, o que não entra não faz nada. É uma etapa que faz sentido técnico, não é só uma palavra bonita no rótulo.

Ginsenósidos

São os compostos que fazem o trabalho — saponinas exclusivas deste género de plantas. Existem dezenas, e o perfil muda consoante o processamento, que é exactamente o ponto da secção anterior.

É por isso que «contém ginseng» diz pouco. Interessa que ginseng, tratado como, e em que quantidade.

O que faz na pele — sem exagero

Aqui é preciso cuidado, porque há duas literaturas diferentes e as marcas costumam misturá-las.

Uma é a do ginseng ingerido, vasta e antiga, sobre energia, fadiga e cognição. A outra é a do ginseng aplicado na pele, muito mais recente e muito mais pequena. Uma não prova a outra. Um estudo sobre cápsulas não diz nada sobre um creme.

Sobre o tópico, o que se pode dizer com alguma confiança:

  • Antioxidante — é a base mais sólida, e alinha com o que se sabe dos ginsenósidos
  • Apaziguante — boa tolerância e efeito calmante em pele reactiva
  • Hidratação e conforto — melhora a sensação e o aspecto da barreira
  • Firmeza e linhas finas — há estudos com resultados encorajadores, mas são poucos e pequenos. Encorajador não é o mesmo que demonstrado.

Ou seja: um bom activo de conforto, luminosidade e antioxidação. Não é um substituto do retinol nem dos ácidos, e quem lho vender como tal está a esticar a corda.

A palavra «adaptogénio»

Vai encontrá-la em quase todos os rótulos de ginseng, e merece uma nota franca.

«Adaptogénio» designa, na tradição, uma substância que ajudaria o organismo a lidar com o stress — a «adaptar-se». É um termo histórico e comercial, não uma categoria farmacológica rigorosa. Dizer que um creme é adaptogénico não é uma afirmação verificável; é uma forma de falar.

Usamos a palavra porque é a que o mercado usa. Mas fique com esta: quando um rótulo lhe diz que o produto se adapta às necessidades da sua pele, isso é poesia, não é mecanismo.

Para quem funciona bem

  • Todos os tipos de pele — é dos activos mais bem tolerados que existem
  • Pele cansada, baça, sem viço
  • Quem quer começar em anti-idade sem a irritação dos retinóides
  • Pele reactiva, que não aguenta activos fortes
  • Convive bem com niacinamida, ácido hialurónico e vitamina C

Não dá fotossensibilidade, o que significa que pode ser usado de manhã sem problema — com protector solar por cima, como sempre.

Uma nota que não é sobre cosmética

O ginseng em suplemento pode interagir com medicação — anticoagulantes e fármacos para a diabetes, entre outros — e não é aconselhado na gravidez sem indicação médica.

Isto não se aplica a um creme, que actua à superfície e em quantidade ínfima. Mas como muita gente que compra cosmética com ginseng também pondera tomá-lo, fica dito: suplementos falam-se com o médico, não com uma loja.

Perguntas frequentes

Ginseng coreano e siberiano são o mesmo?

Não. O «siberiano» (Eleutherococcus) nem sequer é do mesmo género e não tem ginsenósidos. O nome pegou, mas é outra planta.

Quanto tempo até ver diferença?

Conforto e luminosidade, duas a quatro semanas. Firmeza, se acontecer, meses — e nunca de forma dramática.

Serve para pele oleosa?

Serve. O que muda é a textura da fórmula, não o ingrediente.

Pode usar-se na gravidez?

Em cosmética é geralmente considerado seguro, mas confirme com o seu médico — vale para tudo neste período.

O preto é sempre melhor do que o vermelho?

É mais concentrado em certos compostos. «Melhor» depende da fórmula inteira, não só da matéria-prima.


A nossa linha de ginseng preto coreano é da GINZAI, e usa ginseng preto fermentado — os nove ciclos de vapor, e depois a fermentação — em todas as fórmulas: da espuma de limpeza ao sérum de ácido hialurónico, do creme de dia aos eye patches.

É uma rotina coreana inteira assente num só activo — e se quiser perceber a lógica das camadas antes de começar, está explicada em ritual K-Beauty.

Leia também

Ver todos os Diário
Creme de dia com manteiga de karité e extracto de algas
Algas: uma palavra, quatro famílias sem parentesco
Entre uma alga castanha e uma microalga vai mais distância evolutiva do que entre um cogumelo e um ser humano — e chegam ao rótulo com o mesmo nome. A alga que mais muda o seu creme não é sequer um activo.