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Ashitaba: a planta que volta a crescer no dia seguinte

Ashitaba: a planta que volta a crescer no dia seguinte

O nome diz tudo: ashita é amanhã, ba é folha. Colhe-se hoje e amanhã já há folha nova. É uma daquelas plantas em que a botânica e a metáfora coincidem — e é por isso que o Japão a associa à renovação há mais de trezentos anos.

O que é a ashitaba

É a Angelica keiskei, uma planta herbácea da família da salsa e da cenoura, natural da costa do Pacífico do Japão central — do sul de Kantō à península de Kii — e das ilhas de Izu, sobretudo Hachijō-jima. Cresce à beira-mar, muitas vezes em solo vulcânico, com sal no ar.

Come-se. É usada em tempura, em sopas, em chá e em sumos verdes. Tem sabor amargo e herbáceo, próximo do aipo. Como tantos ingredientes que a cosmética descobriu tarde, começou por ser comida.

A seiva amarela — o que a torna diferente

Se se corta o caule de uma ashitaba, sai um líquido amarelo espesso. Não é detalhe curioso: é onde está a química que interessa.

Essa seiva é rica em chalconas — sobretudo xantoangelol e 4-hidroxiderricina, duas moléculas características desta planta, que poucos vegetais comuns têm em quantidade comparável. À volta delas juntam-se flavonoides, cumarinas e clorofila.

Em cosmética, o extrato interessa pela ação antioxidante e pelo apoio ao conforto da pele exposta a agressões ambientais. Como sempre nesta casa, dizemos o que é e não o que soaria melhor: as chalconas são um campo de estudo ativo, com muita investigação laboratorial e pouca em pele humana. O que se pode afirmar sem exagero é que é um extrato antioxidante invulgar, de uma planta invulgar.

Ashitaba e Okinawa. A ashitaba não é natural de Okinawa: a ligação vem da linha Secret d’Okinawa, que a junta ao getto — esse, sim, da ilha. E a fama de longevidade de Okinawa, uma das zonas azuis do mundo, explica-se por alimentação, movimento, comunidade e genética — não por uma planta isolada.

Como aparece nos produtos

  • Extrato de folha (Angelica Keiskei Leaf Extract) — a forma mais comum, aquosa, usada pela fração antioxidante.
  • Nunca sozinha. É um ativo de fórmula: combina-se com óleos vegetais e outros extratos, e a sua posição na lista INCI diz muito sobre a seriedade do produto.
  • Sem aroma próprio marcante na maioria das fórmulas.

Perguntas frequentes

Ashitaba é o mesmo que angelica?
É do mesmo género botânico (Angelica), mas outra espécie. A Angelica archangelica europeia, usada em licores, é planta diferente.

Pode usar-se em pele sensível?
Geralmente sim, mas faça teste no antebraço durante 24 horas, como com qualquer extrato botânico novo.

Tem alguma contraindicação?
As cumarinas da família Angelica merecem prudência em pele exposta ao sol logo a seguir à aplicação. Aplique-a de preferência à noite e use protetor solar de dia — o que, de resto, devia ser regra com ou sem ashitaba.

Produtos mencionados neste guia

A ashitaba entra na nossa curadoria no óleo facial da BIJIN, ao lado do getto. O bálsamo da mesma linha leva getto, mas não ashitaba; e o contexto está na página dos Rituais do Japão.

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Outros guias: getto, a planta de Okinawa que a acompanha neste óleo, e rosa mosqueta, que também lá está. Os restantes ingredientes estão no índice do Diário.

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