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Óleo de macadâmia: o ómega-7, e a correcção que ninguém faz

Óleo de macadâmia 100% biológico prensado a frio, rico em ácido palmitoleico

Há um número que define este óleo, e é a razão de existir este artigo.

O óleo de macadâmia tem entre 12% e 20% de ácido palmitoleico — um ácido gordo que quase não existe no resto do reino vegetal. Um azeite tem menos de 2%. É a característica que o separa de todos os outros óleos da prateleira.

Sobre esse ácido conta-se sempre a mesma frase, e vamos ter de a corrigir. Mas primeiro, a árvore.

A árvore que veio da Austrália e fez fortuna no Havai

A macadâmia é australiana — nativa das florestas subtropicais da costa leste. E é uma raridade botânica: das dezenas de milhares de plantas australianas, é uma das pouquíssimas que se tornaram uma cultura alimentar comercial no mundo inteiro. Foi cultivada e comida pelos povos aborígenes muito antes de ter nome científico.

Esse nome chegou em 1857, dado por Ferdinand von Mueller, director do Jardim Botânico de Melbourne. E tem uma ironia: von Mueller baptizou o género em honra de John Macadam — que não era botânico. Era químico e médico, colega e amigo do próprio von Mueller, secretário do instituto científico local. Dedicou-lhe, escreveu, «um belo género».

Ou seja: a árvore australiana tem o nome de um químico escocês que nunca teve nada a ver com ela. E a indústria comercial que a tornou famosa não se desenvolveu na Austrália — desenvolveu-se no Havai, décadas mais tarde.

A casca

Vale a pena um parágrafo, porque explica o preço. A macadâmia tem uma das cascas mais duras do mundo vegetal. Partir a noz sem esmagar o miolo exige máquinas próprias, e durante muito tempo foi esse o obstáculo à sua exploração comercial. Um óleo caro tem quase sempre uma razão física por trás.

O ácido palmitoleico

É um ácido gordo monoinsaturado de dezasseis carbonos, também chamado ómega-7. É invulgar: a esmagadora maioria dos óleos vegetais é dominada por oleico (ómega-9) e linoleico (ómega-6), e o palmitoleico aparece em vestígios ou não aparece de todo.

Quanto é que a macadâmia tem, ao certo? A resposta honesta é depende, e isso é interessante por si:

  • Análises de quinze cultivares chinesas encontraram 13 a 18%, com oleico a rondar os 62 a 66%.
  • Um estudo comparando métodos de extracção encontrou cerca de 19%, com 83% de gordura monoinsaturada no total.
  • Um trabalho sobre nove variedades — incluindo híbridos e Macadamia tetraphylla — chegou a valores muito mais altos, entre 24 e 36%, com o oleico proporcionalmente mais baixo.

E há uma conclusão que se repete: a origem geográfica pesa mais do que a variedade na composição final. O mesmo cultivar plantado em regiões diferentes dá óleos mensuravelmente diferentes.

Portanto, quando um rótulo lhe der uma percentagem exacta de palmitoleico, saiba que é uma estimativa razoável e não uma medição do frasco que tem na mão.

A correcção que ninguém faz

A frase que acompanha sempre este óleo é esta: «o ácido palmitoleico está naturalmente presente no sebo humano jovem e diminui com a idade».

Está quase certa, e o «quase» importa.

Uma revisão de 2026 sobre ácidos gordos hexadecenóicos e saúde da pele é explícita na distinção: o ácido palmitoleico — cis-9, 16:1 n−7 — está enriquecido na epiderme viável e detecta-se nos lípidos do estrato córneo. Mas «o seu isómero, o ácido sapiénico (cis-6 16:1; 16:1 n−10), é o que predomina no sebo humano».

São duas moléculas com a mesma fórmula e a dupla ligação em sítios diferentes. E o ácido sapiénico tem esse nome por uma razão: é praticamente exclusivo do Homo sapiens — nenhum outro animal produz sebo com aquele perfil.

Ou seja: o óleo de macadâmia não repõe o principal ácido gordo do seu sebo, porque nenhuma planta o produz. O que o palmitoleico tem é afinidade com os lípidos da epiderme — o que é uma afirmação mais modesta, e verdadeira.

Ácido palmitoleico no óleo de macadâmia comparado com abacate, azeite e outros óleos vegetais, e a distinção entre ácido palmitoleico e ácido sapiénico

A mesma revisão resume o estado da evidência sem entusiasmo: há sinais experimentais e pré-clínicos de efeitos antimicrobianos, lubrificação, protecção contra dano oxidativo e reparação de feridas, mas «ainda são necessários estudos mecanísticos robustos em humanos».

E não é o óleo mais rico em palmitoleico

Esta também é nossa, e vamos corrigi-la na ficha do produto.

A macadâmia é o mais rico dos óleos vegetais comuns — isso mantém-se. Mas o óleo da polpa do espinheiro-marítimo é bastante mais concentrado, e é a fonte botânica de referência para este ácido gordo. Simplesmente não se vende como óleo puro à colher, ao contrário da macadâmia.

Se lhe interessa, o espinheiro-marítimo está na nossa máscara facial revitalizante.

Porque é que «prensado a frio» aqui quer dizer alguma coisa

Na maioria dos rótulos, «prensado a frio» é uma palavra bonita sem medida por trás. Neste caso há medida.

Um estudo comparou óleo de macadâmia extraído por três vias — prensagem, solventes e extracção aquosa. O perfil de ácidos gordos, os tocoferóis e os fitoesteróis mantiveram-se praticamente iguais nos três. Mas o óleo prensado teve significativamente mais esqualeno, mais polifenóis e maior capacidade antioxidante do que os outros dois.

É um dos poucos casos em cosmética natural em que a alegação do método de extracção tem números a apoiá-la. O que a prensagem preserva não são os ácidos gordos — é a fracção minoritária.

E essa fracção não é irrelevante: além do esqualeno, a macadâmia traz fitoesteróis em quantidade apreciável e tocotrienóis, a família menos comum da vitamina E.

O que faz na pele

Sem exagero, que é o que este óleo dispensa:

  • Emoliente e nutritivo, com uma textura sedosa e absorção rápida para um óleo tão rico. Não deixa película pesada.
  • Muito estável. Com mais de 80% de gordura monoinsaturada e pouquíssimo poli-insaturado, é dos que menos rançam. Comporta-se como a marula nesse aspecto — e o artigo da marula é onde está explicada a diferença entre óleos ricos em oleico e ricos em linoleico, que é a regra para escolher qualquer um.
  • Indicado a pele seca, madura ou desconfortável. Para pele oleosa, faz mais sentido um óleo rico em linoleico.
  • Nas pontas do cabelo, em quantidade mínima. Uma nota de honestidade: o único óleo com evidência específica de reduzir a perda de proteína capilar é o de coco, e isso está em óleo no cabelo antes do champô. O resto, macadâmia incluída, trabalha à superfície — brilho, maciez, menos frizz. Não é pouco; não é a mesma coisa.

Duas coisas que deixámos de dizer

Enquanto escrevíamos isto fomos reler a nossa própria ficha, e havia duas frases a corrigir.

A primeira dizia que o palmitoleico activa a enzima SIRT1 e previne a degradação do colagénio. É um mecanismo proposto, estudado sobretudo fora da pele, e não é o que a revisão de 2026 conclui sobre aplicação tópica. Sai.

A segunda descrevia o óleo como «não comedogénico». Não existe teste normalizado nem definição regulamentar para essa expressão — como escrevemos a propósito do óleo de coco. O que se pode dizer é que é um óleo leve e bem tolerado. Isso é verificável; «não comedogénico» não é.

Perguntas frequentes

Sou alérgico a frutos secos. Posso usar?

Não sem falar com um médico. É um óleo de fruto seco, e ainda que a proteína alergénica seja largamente removida na prensagem e refinação, o risco não é zero. A mesma prudência vale para o óleo de amêndoa doce.

É o óleo mais parecido com a pele humana?

Esse título costuma dar-se ao jojoba, e por outra razão — os ésteres de cera. A macadâmia tem afinidade com os lípidos da epiderme pelo palmitoleico, que é uma afirmação diferente e mais estreita.

Serve para pele oleosa?

Pode servir em quantidade muito pequena, mas não é a primeira escolha. Sendo dominado por monoinsaturados, é mais indicado a pele seca ou madura.

Quanto tempo dura?

É dos óleos vegetais mais estáveis, precisamente pela baixíssima proporção de poli-insaturados. Ao abrigo da luz e do calor, aguenta bem.

Tem cheiro?

Discreto, ligeiramente a fruto seco. Bem tolerado por quem não gosta de aromas.

Posso usar no rosto e no corpo?

Sim. No rosto, duas a três gotas no fim da rotina; no corpo, sobre pele húmida depois do banho, sobretudo em cotovelos, joelhos e cutículas.

É verdade que a noz é tóxica para cães?

A noz de macadâmia é conhecida por ser tóxica para cães, sim. Não deixe o seu comer nozes. É uma questão de ingestão, não de um óleo aplicado na sua pele.

Macadâmia ou argão?

O argão é mais equilibrado e serve melhor cabelo fino e uso frequente. A macadâmia é mais rica e mais indicada a pele seca ou madura. Não competem pelo mesmo lugar.


O nosso óleo de macadâmia 100% biológico é da More Natural, prensado a frio, 30 ml — um único ingrediente na lista: óleo de semente de Macadamia integrifolia.

Está na colecção de óleos vegetais puros, ao lado dos outros de um só ingrediente, e faz sentido em pele seca e desidratada. Antes de comprar, o método para ler a lista está em como ler um rótulo INCI.

Com este, os treze óleos puros da loja passam a ter guia. Estão todos reunidos no índice do Diário.

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