Sabões Ancestrais

Aleppo, Síria · África Ocidental

Antes de haver indústria, havia dois sabões. Um nasceu numa cidade da Síria, o outro sob as árvores da África Ocidental. Ambos continuam a fazer-se à mão.

Sabões ancestrais — sabão de Aleppo com óleo de louro e sabão preto africano

Onde nasceu

O sabão de Aleppo é provavelmente o sabão mais antigo ainda em produção. Faz-se com azeite das planícies em redor da cidade e óleo de baga de louro — e nada mais. Foi por Aleppo que a receita passou para a Europa: os cruzados levaram-na, e dela nasceram o sabão de Marselha e o de Castela, ambos sem o louro.

O sabão preto africano não descende deste. Nasceu separadamente, no Gana e na Nigéria, e faz-se ao contrário: em vez de soda comprada, usa-se a cinza da própria terra — cascas de plátano, vagens de cacau, casca da árvore do karité — queimadas, e é dessa cinza que vem o álcali. É, tradicionalmente, um saber de mulheres, passado de mãe para filha.

Como acontece de verdade

Um sabão de Aleppo demora quase um ano a ficar pronto. É por isso que não pode ser barato.

1
A caldeira

Azeite e álcali fervem em cubas durante três dias. O óleo de louro entra no fim, quando o lume já está apagado — o calor destruiria o que ele tem de melhor.

2
O chão

A pasta é despejada no chão da fábrica, forrado a papel, e espalhada até formar uma camada uniforme. Espera-se um dia inteiro.

3
O corte e o carimbo

Corta-se em cubos com um ancinho, à mão, e cada cubo recebe o selo de quem o fez. É a assinatura da casa.

4
As torres

Empilham-se em torres vazadas, para o ar circular por todos os lados, e ficam a curar em caves entre seis meses e dois anos.

5
A cor conta a idade

Por fora fica dourado, quase bege, oxidado pelo tempo. Por dentro continua verde. Parte-se um ao meio e vê-se ao certo se curou.

O que se usa, e de onde vem

Azeite

Planícies em redor de Aleppo

A base de todo o sabão. É ele que dá a suavidade e a espuma cremosa — e é ele que, em qualquer sabão de Aleppo, representa a maior parte da fórmula.

Óleo de baga de louro

Louro do Mediterrâneo, colhido no outono

O ingrediente que distingue Aleppo de todos os outros. É raro, é caro, e a percentagem que um sabão leva é o que determina o seu grau — e o seu preço.

Cinzas de plátano e cacau

Gana e Nigéria

Queimadas ao sol e depois em fogo lento, dão ao sabão preto o seu álcali, a cor escura e o cheiro terroso e inconfundível.

Manteiga de karité

Cinturão do karité, África Ocidental

Entra no sabão preto para compensar o que a cinza tem de forte. É o que faz com que um sabão feito de cinzas não deixe a pele a repuxar.

Como usar em casa

1
Faz espuma nas mãos, não na pele

Estes sabões são densos. Molha, esfrega entre as mãos até criar espuma, e leva a espuma à pele — não o cubo.

2
Serve para o cabelo

Em Aleppo e no Gana lava-se o cabelo com eles há séculos. Se estiveres habituado a champô, estranha-se nas primeiras vezes — a espuma é menor.

3
Deixa-o secar entre banhos

É o passo que quase toda a gente falha. Um sabão destes deixado em água desfaz-se em semanas; num suporte que escorra, dura meses.

4
Guarda o que sobrar

Quanto mais velho, melhor. Um sabão de Aleppo guardado num sítio seco continua a curar e a ficar mais suave.

Nota de transparência

Grande parte do que se vende na Europa como "sabão de Aleppo" tem entre 5% e 12% de óleo de louro — o mínimo para poder usar o nome. O nosso tem 40%, e é essa a diferença que se sente e que explica o preço. Não é um detalhe de marketing: é a percentagem que muda o produto. Se comparares preços com outro sabão de Aleppo, compara primeiro a percentagem.

Os sabões da curadoria Nõma — Aleppo com 40% de louro, sabão preto africano e sabonetes processados a frio.

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