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Óleo de argão: para que serve, como usar e como saber se o seu é puro

Óleo de argão: para que serve, como usar e como saber se o seu é puro

O argão é o óleo mais copiado da cosmética. Está em champôs de supermercado, em cremes de mãos, em máscaras capilares — quase sempre em quantidade demasiado pequena para fazer o que promete. Este guia explica o que ele faz mesmo, como se usa, e como distinguir um argão verdadeiro de um rótulo com uma boa palavra impressa.

Óleo de argão 100% biológico prensado a frio
Óleo de argão biológico, prensado a frio — extraído da amêndoa do fruto da Argania spinosa.

O que é o óleo de argão

Vem das amêndoas do fruto da Argania spinosa, uma árvore que só cresce numa faixa do sudoeste de Marrocos — entre Essaouira, Agadir e o vale do Souss. É uma árvore adorável de teimosa: sobrevive a verões de 50 °C e a anos sem chuva, com raízes que descem mais de trinta metros. A região está classificada pela UNESCO como Reserva da Biosfera precisamente por causa dela.

Cada fruto tem um caroço durssimo, e dentro dele uma a três amêndoas. É dessas amêndoas que se extrai o óleo. Partir os caroços continua a ser feito à mão, pedra contra pedra, na maioria das cooperativas — nenhuma máquina o faz melhor. São precisos cerca de 30 quilos de fruto e várias horas de trabalho para um litro de óleo. É por isso que é caro, e é por isso que um argão baratíssimo merece desconfiança.

Argão cosmético e argão alimentar não são o mesmo

Esta troca acontece com mais frequência do que se imagina, sobretudo em compras feitas em viagem.

  • Argão cosmético — amêndoas cruas, prensadas a frio. Cor amarelo-dourada clara, cheiro muito discreto, ligeiramente amendoado.
  • Argão alimentar — amêndoas torradas antes da prensagem. Cor castanho-alaranjada, cheiro forte a fruto seco tostado. Excelente numa salada ou no amlou; no rosto, não é o indicado.

Se o seu óleo cheira intensamente a amendoim torrado, comprou o de cozinha.

Para que serve o óleo de argão

A composição explica tudo o que é preciso saber, sem exageros:

  • Ácido oleico (ómega 9), cerca de 43-49 % — dá-lhe o toque sedoso e a capacidade de amaciar.
  • Ácido linoleico (ómega 6), cerca de 29-36 % — é o que a pele usa para reconstruir a barreira. Este equilíbrio entre os dois é raro e é o que torna o argão tão versátil.
  • Tocoferóis (vitamina E) — em concentração das mais altas entre os óleos vegetais. Antioxidante, e também o que o ajuda a durar mais tempo sem oxidar.
  • Esteróis e polifenóis — fração insaponificável que apoia o conforto da pele.

Na prática: reforça a barreira cutânea e reduz a perda de água; amacia e dá luminosidade sem deixar película pesada; ajuda a manter a elasticidade; e no cabelo sela as pontas e domá o frisado — é provavelmente o melhor uso isolado deste óleo.

O que não faz: não faz crescer cabelo, não elimina rugas, não trata alopecia. Um óleo vegetal atua na superfície — e nessa superfície faz muito bem o seu trabalho.

O que quer dizer, afinal, um rótulo «com óleo de argão»

Aqui está a parte que vale o preço deste artigo.

Na União Europeia, a lista de ingredientes (INCI) tem de vir por ordem decrescente de quantidade até aos 1 %. Abaixo de 1 %, a ordem é livre. Pegue num champô ou numa máscara «com argão» e procure Argania Spinosa Kernel Oil na lista: quase sempre aparece depois do perfume, dos conservantes e dos corantes — ou seja, muito abaixo de 1 %.

Uma gota de argão num frasco de 400 ml chega para o escrever no rótulo. Não chega para fazer nada à pele nem ao cabelo. Não é ilegal; é apenas marketing.

O teste de dez segundos: vire a embalagem e conte quantos ingredientes vêm antes do argão. Se vierem mais de cinco, está a comprar a palavra, não o óleo. Num óleo puro, a lista tem uma linha: Argania Spinosa Kernel Oil*.

Argão ou jojoba? Depende da pele

Textura do óleo de argão puro
Textura sedosa, absorção progressiva, acabamento luminoso e não pesado.

São os dois óleos mais comprados para o rosto, e servem para coisas diferentes:

Argão Jojoba
O que é Óleo (triglicéridos) Cera líquida, não é tecnicamente um óleo
Sensação Sedoso, nutritivo Muito leve, quase seco
Melhor para Pele seca, madura, cabelo Pele oleosa, mista, com imperfeições
Força Vitamina E, nutrição, brilho Semelhança com o sebo humano
Estabilidade Boa Excelente — quase não oxida

Se tem dúvidas: pele seca ou madura, argão; pele oleosa ou com tendência a borbulhas, jojoba. Cabelo, argão sem hesitar.

Como usar, passo a passo

  1. No rosto: duas a três gotas na pele limpa e ligeiramente húmida, aquecidas entre as palmas e pressionadas — não esfregadas. À noite é quando rende mais.
  2. Nas pontas do cabelo: uma ou duas gotas no cabelo húmido, só do meio para baixo. Nunca na raiz.
  3. Como máscara capilar: uma quantidade generosa em todo o comprimento, uma hora antes do banho (ou de um dia para o outro), e depois champô.
  4. Nas cutículas e unhas: uma gota por mão, à noite. É dos usos onde a diferença se vê mais depressa.
  5. Nas zonas muito secas — cotovelos, joelhos, calcanhares — sobre a pele ainda húmida do duche.
  6. A juntar ao creme: uma gota misturada no hidratante habitual torna-o mais rico, sem comprar nada de novo.

Menos é mais. O erro mais comum é usar argão a mais e concluir que «não absorve». Duas gotas chegam para o rosto inteiro.

Como escolher um bom óleo de argão

  • INCI de uma linha: Argania Spinosa Kernel Oil. Mais nada.
  • Prensado a frio e de amêndoas não torradas.
  • Cor amarelo-dourada clara. Castanho-escuro significa torrado; incolor significa refinado.
  • Cheiro discreto. Um argão inodoro foi desodorizado; um argão intenso é alimentar.
  • Vidro escuro, nunca plástico transparente.
  • Origem declarada — Marrocos — e, idealmente, certificação biológica. Muito do argão de qualidade vem de cooperativas femininas do Souss; quando a marca o diz, costuma ser verdade e conta.
  • Preço coerente. Um litro de argão puro nunca é barato. Se o preço parece bom demais, o óleo foi cortado com girassol.

Precauções

É muito bem tolerado, mas há duas notas: quem tem alergia a frutos de casca rija deve ter cuidado e fazer sempre teste no antebraço durante 24 horas; e, apesar de rico em vitamina E, não substitui o protetor solar. Uma vez aberto, use-o dentro de doze meses — aguenta mais tempo do que a maioria dos óleos, graças aos próprios tocoferóis.

Perguntas frequentes

O óleo de argão obstrui os poros?
Tem índice comedogénico baixo (0 a 2, consoante a fonte) e a maioria das peles tolera-o bem. Ainda assim, em pele muito oleosa a jojoba costuma ser escolha mais segura.

Pode usar-se no cabelo todos os dias?
Nas pontas, sim, em quantidade mínima. No couro cabeludo, não é necessário e pesa.

Serve para a barba?
Serve, e muito bem — amacia o pelo e reduz a comichão da pele por baixo.

E na gravidez?
É um óleo vegetal puro, sem óleos essenciais. Como em qualquer produto novo nessa fase, confirme com o médico assistente.

Aplica-se antes ou depois do creme?
Depois. O óleo é o último passo — sela o que está por baixo.

O que temos na curadoria

O nosso Óleo de Argão 100% Biológico Prensado a Frio é exactamente isso: uma linha de INCI, amêndoas cruas, prensagem a frio, 22,99 €.

Para quem prefere o argão dentro de uma fórmula pensada, temos também a Máscara Facial com Ghassoul, Rosa Indiana e Óleo de Argão — e o Ritual Hammam, onde se explica de onde vem esta forma marroquina de cuidar da pele.

O argão faz parte da nossa coleção de óleos vegetais puros, todos prensados a frio, todos com uma linha de ingredientes.

Nõma SkinCare — curadoria de cosmética natural europeia.

Leia também: Gua sha: como fazer bem, e o que ele não faz — o argão é dos óleos que melhor se prestam à massagem com pedra, e sem óleo por baixo o gua sha arrasta a pele em vez de deslizar.

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