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Óleo de coco: o que faz mesmo no cabelo, e a questão dos poros

Óleo de coco virgem biológico ISHA, 200 ml, em boião de vidro

Não há óleo mais discutido do que este. Metade da internet jura que é o melhor tratamento de cabelo que existe; a outra metade avisa que entope os poros e arruína a pele. As duas metades têm razão — em coisas diferentes.

Vale a pena separar o que está medido do que se repete.

De onde vem

O óleo de coco extrai-se da polpa do fruto do coqueiro, Cocos nucifera, e a forma de o extrair muda tudo o que vem a seguir.

O virgem obtém-se por prensagem a frio da polpa, sem refinação, sem branqueamento e sem desodorização. Mantém o aroma do fruto e os tocoferóis que a planta lá pôs. O refinado — que na indústria se chama RBD — passa por calor, terras branqueantes e desodorização: sai neutro, inodoro, mais barato, e sem grande parte do que o acompanhava.

Nenhum dos dois é fraude. São matérias-primas diferentes para fins diferentes. Mas quando um rótulo diz apenas «óleo de coco», é quase sempre o segundo.

Porque solidifica

Esta é a característica que mais confunde quem compra pela primeira vez.

O óleo de coco funde por volta dos 25 °C. Abaixo disso é sólido e branco; acima disso é líquido e transparente. Em Portugal, isso quer dizer sólido de novembro a abril e líquido no Verão, dentro do mesmo frasco, sem que nada se tenha estragado. Pode passar de um estado ao outro as vezes que quiser.

Há uma excepção que convém conhecer: o óleo de coco fraccionado, vendido muitas vezes como «MCT». É óleo de coco a que se retiraram os ácidos gordos de cadeia longa, ficando só os médios — e por isso permanece líquido a qualquer temperatura. É útil em massagem e em aromaterapia, mas já não tem ácido láurico, que é precisamente o composto que interessa no cabelo. Um óleo de coco que nunca solidifica não é melhor: é outra coisa.

O ácido láurico

A composição do óleo de coco é invulgar entre os óleos vegetais: quase tudo nele são ácidos gordos saturados de cadeia média, quando a maioria dos óleos é dominada por insaturados de cadeia longa.

Uma análise por cromatografia gasosa publicada em 2022 no IOP Conference Series: Earth and Environmental Science mediu o perfil de óleo de coco virgem e concluiu que «o ácido láurico é o componente mais abundante do VCO, com 45,567%», seguido do mirístico com 16,654%, do caprílico com 9,162% e do cáprico com 6,438%.

Perto de metade da gordura é um só ácido. É isso que explica o comportamento deste óleo — a solidificação, a estabilidade à oxidação, e o que acontece no cabelo.

O cabelo: aqui a evidência é boa

Esta é a parte em que se pode falar com confiança, e é raro poder dizê-lo de um ingrediente natural.

Em 2003, um trabalho publicado no Journal of Cosmetic Science comparou três óleos — mineral, de girassol e de coco — na sua capacidade de reduzir a perda de proteína do cabelo. A conclusão foi directa: «De entre os três óleos, o de coco foi o único que reduziu de forma notável a perda de proteína.»

Os autores explicam porquê, e a explicação é o ácido láurico: «Sendo um triglicérido de ácido láurico, tem elevada afinidade pelas proteínas do cabelo; o baixo peso molecular e a cadeia linear favorecem a penetração na haste capilar.» O óleo mineral, que é um hidrocarboneto, e o de girassol, com estruturas insaturadas volumosas, não conseguem entrar.

Ou seja: a maioria dos óleos fica à superfície do cabelo e dá brilho. Este entra, e reduz o dano que a lavagem e a escovagem provocam na queratina.

Como se usa, na prática

  • Antes do champô, nunca depois. É a diferença entre proteger a fibra durante a lavagem e ficar com o cabelo pesado.
  • Nos comprimentos e nas pontas, fora da raiz. O couro cabeludo não precisa e fica oleoso.
  • Trinta minutos chegam; uma noite é melhor. O tempo é o que permite a penetração.
  • Use pouco. O erro clássico é aplicar de mais e depois precisar de dois champôs para o tirar — o que anula o benefício.

Funciona particularmente bem em cabelo seco, poroso, descolorado ou com tratamentos químicos. Em cabelo fino e oleoso, use menos e só nas pontas — ou escolha um óleo mais leve, como o argão.

A pele

No inventário internacional de ingredientes cosméticos, o Cocos Nucifera Oil está classificado com quatro funções: condicionador capilar, mascarante, hidratante e condicionador da pele. É um emoliente clássico — forma uma camada à superfície que trava a evaporação da água e devolve maciez.

Na prática, dá-se bem em pele seca do corpo, mãos ásperas, calcanhares e cotovelos, e na barba, onde amacia o pelo e trata a pele por baixo. Como óleo de massagem, espalha-se bem e não seca depressa.

A questão dos poros — a parte honesta

Aqui é onde a maior parte dos textos sobre óleo de coco ou mente por defesa ou exagera por medo. Vamos pelo meio.

A reputação existe e não é inventada. Muita gente com pele oleosa ou com tendência acneica relata borbulhas depois de usar óleo de coco no rosto. É demasiado frequente para se descartar.

Mas a escala que toda a gente cita é frágil. A famosa classificação de comedogenicidade de 0 a 5 nasceu nos anos 70, quando Albert Kligman e James Fulton adaptaram um ensaio de químicos industriais e passaram a aplicar ingredientes na orelha interna de coelhos, avaliando depois a queratose folicular. É dali que vêm os números que se repetem em listas na internet até hoje.

O problema é que a correlação com a pele humana nunca foi estabelecida. Uma revisão da Skin Inc. resume-o assim: «Vários estudos actuais põem mesmo em causa o consagrado teste da orelha de coelho, notando a ausência de correlação científica com a experiência humana.» E acrescenta o resto do problema: não existe norma nem definição regulamentar para a palavra «não comedogénico» — «qualquer empresa pode fazer essa alegação».

Então o que fazer com isto? O razoável:

  • No corpo, nas mãos, nos pés e no cabelo — não há reserva nenhuma.
  • No rosto, se tem pele seca e não faz borbulhas — pode usar, com bom senso.
  • No rosto, se tem pele oleosa ou acneica — não vale a pena arriscar num produto deixado a actuar toda a noite. Há óleos melhores para si.
  • A desmaquilhar é caso diferente. Aplica-se, dissolve a maquilhagem e retira-se com um pano morno — o contacto é de minutos, não de horas, e o risco é muito menor.

Se a sua preocupação são poros e pontos negros, o que resulta mesmo está em pontos negros e poros dilatados.

Como ler o rótulo

Três palavras mudam o que está lá dentro:

  • Virgem — prensado a frio, sem refinação. Cheira a coco, solidifica, mantém os tocoferóis.
  • Refinado ou RBD — neutro e inodoro, mais barato, empobrecido.
  • Fraccionado ou MCT — sempre líquido, sem ácido láurico. Não serve para o efeito capilar.

E há um sinal simples: um óleo de coco cuja lista INCI tem uma única linhaCocos Nucifera Oil — não tem perfume, conservantes nem alergénios declarados. O método completo para ler uma lista de ingredientes está em como ler um rótulo INCI.

Perguntas frequentes

Solidificou no frasco. Estragou-se?

Não. É o comportamento normal abaixo dos 25 °C. O calor das mãos derrete o que precisar em segundos.

Posso usar no cabelo depois do champô?

Pode, mas em quantidade mínima e só nas pontas. O benefício demonstrado é o de antes da lavagem — é aí que protege a fibra.

Serve para pele com acne?

No corpo, sim. No rosto, provavelmente não vale o risco. É honesto dizer que a escala de comedogenicidade é fraca, e é honesto dizer que as queixas são muitas.

Tem cheiro?

O virgem tem um aroma leve a coco, que vem do próprio fruto e não de perfume adicionado. Desaparece pouco depois de aplicado. O refinado não cheira a nada.

Quanto tempo dura depois de aberto?

É dos óleos vegetais mais estáveis, porque os ácidos gordos saturados oxidam com muito mais dificuldade do que os insaturados. Guarde ao abrigo da luz e do calor, e use sempre as mãos limpas e secas — água dentro do boião é o que mais encurta a vida a um óleo puro.

Óleo de coco alimentar e cosmético são o mesmo?

Podem ser o mesmo produto, se ambos forem virgens. O que muda é o controlo de qualidade e o enquadramento legal de cada um. Um óleo de coco cosmético é vendido para a pele e responde por isso.


O nosso óleo de coco virgem biológico é da ISHA, prensado a frio, com um único ingrediente na lista e sem perfume — 200 ml num boião de vidro.

Se procura nutrição para pele muito seca em vez de tratamento capilar, a manteiga de manga é mais rica e absorve sem película, embora tenha perfume; e a manteiga de karité 100% pura não tem perfume nenhum — o guia completo está em manteiga de karité.

Para tratamento capilar, o outro clássico é o óleo de rícino, com uma lógica diferente — está explicado em óleo de rícino. Todos eles estão na colecção de óleos vegetais puros.

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