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Manteiga de karité: o guia honesto, incluindo o que ninguém te diz sobre os cremes «com karité»

Manteiga de karité pura — Nõma SkinCare

Há ingredientes que dispensam marketing. A manteiga de karité é um deles: usada há gerações na África Ocidental, resolve mãos gretadas, cotovelos ásperos, pele que descama no inverno e pontas de cabelo estragadas — tudo com um só boião.

E é precisamente por ser tão eficaz que o mercado a diluiu até quase desaparecer.

Primeiro, o que é

A manteiga de karité extrai-se da noz da árvore do karité (Vitellaria paradoxa, antes Butyrospermum parkii), que cresce numa faixa da savana africana que atravessa o Burkina Faso, o Gana, o Mali e o Nigéria. A árvore não é cultivada em plantação: cresce espontaneamente e demora 15 a 20 anos a dar fruto. A colheita e o processamento tradicional são feitos, em larga medida, por mulheres organizadas em cooperativas — é uma das principais fontes de rendimento próprio de milhões de mulheres na região.

Do ponto de vista da pele, o que interessa: é rica em ácidos gordos (oleico, esteárico, linoleico), em vitaminas A, D, E e F, e — a parte que a distingue — numa fração relativamente alta de insaponificáveis, os compostos que lhe dão as propriedades reparadoras.

Textura da manteiga de karité 100% pura
A textura muda com o calor das mãos — é assim que se aplica.

A parte que os artigos das grandes marcas não escrevem

Vai a uma drogaria e encontra dezenas de produtos com «manteiga de karité» no rótulo da frente. Cremes corporais, loções, bálsamos.

Abra a lista de ingredientes de qualquer um deles e procure onde está o Butyrospermum Parkii Butter. Vai encontrá-lo, quase sempre, a meio ou no fim da lista — depois da água, dos emulsionantes, dos álcoois gordos, dos silicones. Os ingredientes vêm por ordem decrescente de quantidade. Estar a meio da lista significa, tipicamente, uma concentração de poucos por cento.

Não é fraude. Um creme corporal com 4% de karité é um creme corporal perfeitamente legítimo, com uma textura leve e agradável que muita gente prefere. Mas não é a mesma coisa que manteiga de karité, e é vendido como se fosse.

A manteiga de karité pura tem uma lista de ingredientes com uma linha:

Butyrospermum Parkii (Shea) Butter

Se a lista for maior do que isso, está a comprar um creme que contém karité. Ambas as coisas têm lugar. Só vale a pena saber qual é qual — e o preço não ajuda a distinguir, porque muitos cremes diluídos custam mais do que a manteiga pura.

Refinada ou não refinada: a segunda distinção que ninguém explica

Karité não refinado é amarelado ou marfim, tem um cheiro característico a noz e a fumo, e mantém a fração mais alta de insaponificáveis — os compostos ativos.

Karité refinado é branco, praticamente inodoro, com textura mais uniforme e estável. O refinamento remove o cheiro e a cor, e remove com eles parte dos compostos ativos.

Nenhum dos dois é «melhor» em absoluto, e quem lhe disser o contrário está a vender-lhe a versão que tem em stock. São duas escolhas com consequências diferentes:

  • O não refinado é mais ativo, mas tem cor e um aroma marcado a noz e a fumo que nem toda a gente tolera — sobretudo no rosto e debaixo de maquilhagem.
  • O refinado é mais neutro, mais estável ao longo do tempo e mais fácil de integrar numa rotina de rosto, com o custo de perder parte dos ativos.

O que interessa é saber qual está a comprar — e essa informação está quase sempre ausente do rótulo. É esse o ponto deste capítulo, e não eleger um vencedor.

A nossa é refinada. Dizemo-lo com a consequência incluída: é branca e praticamente inodora, o que a torna confortável no rosto e para quem não suporta o aroma do karité bruto — e significa também que não tem a carga de insaponificáveis de uma manteiga não refinada. Se procura uma manteiga amarelada, com cheiro intenso a noz e o máximo de ativos, a nossa não é essa, e é melhor sabê-lo antes de comprar do que depois.

Porque é que a tua manteiga de karité ficou granulosa

Esta é a queixa mais comum e tem uma explicação simples que quase nunca se dá.

O karité é composto por vários ácidos gordos com pontos de fusão diferentes. Quando a manteiga aquece — no carro em agosto, numa casa de banho quente, num transporte no verão — derrete. Ao arrefecer devagar, esses ácidos gordos voltam a solidificar em momentos diferentes e formam microcristais. O resultado é uma textura arenosa.

Não estragou. Não perdeu propriedades. Não deitou fora. É física, não deterioração.

Para corrigir: derreta a manteiga por completo em banho-maria, mexa, e arrefeça-a depressa — no frigorífico. Solidifica de uma vez e volta a ficar lisa.

Como usar (e o erro que quase toda a gente faz)

O erro é usar demais.

A manteiga de karité pura é sólida à temperatura ambiente e derrete com o calor das mãos. Uma quantidade do tamanho de uma ervilha chega para as duas mãos inteiras. Quem aplica como aplicaria um creme fica com a pele oleosa durante uma hora e conclui que «não gosta de karité».

O gesto certo: retire pouco, aqueça entre as palmas até ficar líquido, e espalhe. Absorve em poucos minutos.

Onde funciona particularmente bem:

  • Mãos e cotovelos — sobretudo à noite, para trabalhar durante o sono
  • Pés — depois do banho, com meias de algodão por cima
  • Pontas do cabelo — uma quantidade mínima, só nas pontas
  • Lábios gretados
  • Zonas de atrito e pele muito seca
  • Barriga e pele em distensão, pela textura rica

Para quem não resulta

  • Pele oleosa ou com tendência acneica, no rosto. O karité é rico e oclusivo. No corpo raramente é problema; no rosto, para pele oleosa, pode ser demais. Comece por uma zona pequena.
  • Alergia a frutos secos. O karité vem de uma noz. As reações são raras e a proteína alergénica está em grande parte ausente da manteiga, mas se tem alergia grave a frutos secos, fale com o seu médico antes.
  • Quem quer absorção instantânea. Isto é uma manteiga. Demora um ou dois minutos e deixa um toque nutrido. É o que ela é.

O que procurar no rótulo

Cinco coisas, por ordem de importância:

  1. A lista de ingredientes. Uma linha = manteiga pura. Mais do que isso = creme com karité.
  2. A origem. Burkina Faso, Gana e Mali são as origens de referência.
  3. Refinada ou não refinada — e, se não estiver escrito, é um mau sinal por si só. Não refinada é mais ativa; refinada é branca e inodora. Nenhum rótulo honesto omite isto.
  4. A embalagem. Lata de alumínio ou vidro. O karité oxida com a luz.
  5. O preço por grama. É aqui que se percebe o que se está mesmo a pagar.
Manteiga de karité 100% pura sem perfume, em lata de alumínio
Karité 100% puro: um único ingrediente na lista.

O nosso karité

Na coleção de karité da Nõma estão seis produtos, todos da Institut Karité Paris — uma casa parisiense fundada em 2004 e especializada exclusivamente em karité. Escolhemo-la por uma razão pouco romântica e bastante convincente: é a manteiga de karité que companhias aéreas como a TAP e a Japan Airlines escolheram para as amenities de bordo. Quando alguém compra dezenas de milhares de unidades por ano, testa a sério antes.

A gama vai do simples ao específico:

Publicamos a composição completa de todos. No caso da manteiga pura, cabe numa linha — e é esse o ponto.

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