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Figo da Índia: o fruto, o óleo e a razão de ser o mais caro do mundo

Figo da Índia: o fruto, o óleo e a razão de ser o mais caro do mundo

O figo da Índia é um fruto que quase toda a gente em Portugal já viu — nas bermas do Algarve, nos muros do Alentejo, nas ilhas. O que quase ninguém sabe é que das sementes que se cospem sai o óleo vegetal mais caro do mundo. Este guia explica o fruto, o óleo, e porque é que um custa cêntimos e o outro custa uma fortuna.

Óleo de figo da Índia 100% orgânico
Óleo de semente de figo da Índia — são precisas cerca de uma tonelada de frutos por litro.

O que é o figo da Índia

É o fruto da Opuntia ficus-indica, o cato de pás achatadas que toda a gente reconhece. Apesar do nome, não vem da Índia: é originário do México. Chegou à Europa com os navegadores espanhóis no século XVI e adaptou-se tão bem ao clima mediterrânico que hoje faz parte da paisagem — tanto que em Portugal é considerado espécie invasora, por se propagar sem controlo em zonas secas.

Tem outros nomes conforme a região: tabaibo, figo-do-inferno, tuna (em espanhol), prickly pear (em inglês). O fruto é doce, sumarento, com uma polpa que vai do amarelo-alaranjado ao carmim, cheia de sementes duras.

Como se come sem levar com os espinhos

Os espinhos grandes vêem-se e evitam-se. O problema são os glo­quíd­ios — tufos de espinhos minúsculos, quase invisíveis, que se cravam na pele e demoram dias a sair.

  1. Use sempre luvas, ou segure o fruto com um garfo.
  2. Corte as duas pontas.
  3. Faça um corte longitudinal na casca, de ponta a ponta.
  4. Abra a casca com o garfo e a faca — sai inteira, como um casaco.
  5. Coma frio. As sementes são comestíveis mas duras; a maioria das pessoas engole-as ou põe-nas de lado.

Nutricionalmente, é um fruto interessante: rico em vitamina C, magnésio, fibra e betalaínas — os mesmos pigmentos antioxidantes da beterraba, responsáveis pela cor intensa das variedades vermelhas.

Do fruto ao óleo — e porque custa o que custa

O óleo não se extrai da polpa. Extrai-se das sementes, e as contas são brutais:

  • As sementes são cerca de 3 % do peso do fruto.
  • Cada semente tem cerca de 5 % de óleo.
  • São precisos aproximadamente mil quilos de fruto — cerca de 8 milhões de sementes — para um litro de óleo.
  • A separação das sementes é feita à mão, fruto a fruto, sobretudo em cooperativas em Marrocos e na Tunísia.

Daí o preço. Não é posicionamento de marca: é aritmética agrícola. É também por isso que um «óleo de figo da Índia» barato quase de certeza não é o que diz ser — ou está diluido, ou é macerado de pás de cato, que é outra coisa completamente diferente.

Para que serve o óleo

A composição justifica a fama, e é invulgar mesmo entre óleos nobres:

  • Ácido linoleico (ómega 6): cerca de 60 % — uma das proporções mais altas de todos os óleos vegetais. É o tijolo com que a pele reconstrói a barreira.
  • Tocoferóis (vitamina E) em concentração excecional — bastante acima do argão. Antioxidante, e o que o mantém estável.
  • Esteróis, com destaque para o beta-sitosterol, ligados ao conforto da pele.
  • Vitamina K, frequentemente associada à aparência das olheiras — embora esta seja a alegação mais repetida e menos demonstrada sobre este óleo.

Na pele: é um óleo seco, de absorção quase imediata e acabamento nada oleoso; ajuda a reforçar a barreira e a manter a elasticidade e a luminosidade; e é dos poucos óleos nobres que peles mistas toleram bem, graças ao teor de linoleico.

O que não faz: não apaga olheiras, não elimina rugas, não é protetor solar. Um óleo excecional continua a ser um óleo.

Como escolher

  • INCI de uma linha: Opuntia Ficus-Indica Seed Oil. Se disser Fruit Extract, Stem Extract ou Flower Extract, não é o óleo de semente.
  • Prensado a frio e não refinado — cor amarelo-clara a dourada, cheiro ligeiramente vegetal.
  • Frasco pequeno. 15 a 30 ml é o formato normal; ninguém vende meio litro deste óleo a preço razoável.
  • Vidro escuro e conta-gotas. Usa-se à gota, literalmente.
  • Desconfie do preço baixo. Neste óleo, mais do que em qualquer outro, o preço é informação.

Perguntas frequentes

O figo da Índia é o mesmo que o figo comum?
Não. O figo comum é da figueira (Ficus carica); o figo da Índia é o fruto de um cato. Nada em comum além do nome.

O óleo obstrui os poros?
Tem índice comedogénico baixo e a alta proporção de linoleico torna-o adequado à maioria das peles, incluindo mistas.

Quantas gotas se usam?
Duas, no máximo três, na pele limpa e ligeiramente húmida, de preferência à noite.

Quanto tempo dura depois de aberto?
Cerca de doze meses, ao abrigo da luz. A vitamina E ajuda-o a resistir.

O que temos na curadoria

O Óleo de Figo da Índia 100% Orgânico da ISHA (49,99 €) é óleo de semente, prensado a frio, com uma linha de ingredientes. É o produto mais caro por mililitro de toda a nossa curadoria — e, pelas contas acima, percebe-se porquê.

Para comparar com alternativas mais acessíveis com função parecida, veja a coleção de óleos vegetais puros — o rosa mosqueta e o argão fazem parte da mesma conversa.

Nõma SkinCare — curadoria de cosmética natural europeia.

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