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Esfoliação corporal: o grão, a frequência e dois mitos

Esfoliante corporal de sal marinho

A maior mudança nos esfoliantes corporais da última década não veio de uma descoberta. Veio de uma lei.

E é por isso que o frasco que tem hoje na mão leva sal, açúcar ou caroço moído, e já não leva aquelas bolinhas de plástico coloridas que toda a gente teve nos anos 2000.

A lei que mudou tudo

O Regulamento (UE) 2023/2055, de 25 de Setembro de 2023, alterou o anexo XVII do REACH e restringiu as micropartículas de polímero sintético — os microplásticos adicionados de propósito a produtos.

Para os cosméticos que se enxaguam, como os esfoliantes, a proibição das microesferas aplicou-se a partir de 17 de Outubro de 2023, sem período de transição. Eram um caso claro: partículas de plástico desenhadas para irem pelo ralo abaixo.

Resultado prático: os esfoliantes mudaram de matéria-prima. Sal, açúcar, caroço de alperce ou de azeitona moído, pó de bambu, celulose, jojoba em esferas. E cada um tem um comportamento diferente na pele.

Sal, açúcar e caroço não são a mesma coisa

Sal. Cristais angulosos, mais abrasivos. Dissolve-se com a água, portanto vai suavizando à medida que massaja. Mas arde numa pele acabada de depilar ou com micro-cortes — quem já esfoliou com sal depois de fazer a barba ou a perna sabe exactamente do que estamos a falar.

Açúcar. Grão mais arredondado e dissolve-se mais depressa. É a opção mais suave dos três, e a mais indicada para pele fina ou reactiva.

Caroço moído. Não se dissolve. Aqui o que decide tudo é a finura e a regularidade da moagem: um pó fino e uniforme é suave; fragmentos grosseiros e irregulares têm arestas, e arestas fazem micro-arranhões. É a categoria com maior diferença entre um produto bem feito e um mal feito.

Com que frequência

Uma a duas vezes por semana chega para praticamente toda a gente. No inverno, provavelmente uma.

A pele do corpo é mais espessa do que a da cara e tolera mais — mas tolerar mais não é precisar de mais. A renovação faz-se sozinha; esfoliar acelera a remoção do que já estava a sair.

Sinais de que está a esfoliar de mais: pele a arder no duche, vermelhidão que dura, sensação de repuxar persistente, e — o mais contraintuitivo — pele mais áspera do que antes de começar.

Esfoliação corporal — sal, açúcar e caroço moído, a frequência, e dois mitos

A esfoliação química, que quase ninguém usa no corpo

É onde está a evidência mais sólida, e é a menos usada fora da cara.

  • Ureia — em concentrações mais altas é queratolítica, ou seja, dissolve as ligações entre as células mortas. É o ingrediente de referência para pele muito áspera, cotovelos, joelhos e calcanhares.
  • Ácido láctico — esfolia e é humectante ao mesmo tempo. Bom compromisso para o corpo.
  • Ácido glicólico — molécula mais pequena, penetra mais, irrita mais.

Uma loção com ureia ou ácido láctico, usada regularmente, faz mais pela textura das pernas e dos braços do que qualquer esfoliante mecânico — e sem fricção nenhuma.

A queratose pilar, ou «pele de galinha»

Aqueles pontinhos ásperos na parte de trás dos braços e nas coxas. É extremamente comum, é genética, não é uma infecção, não tem nada a ver com falta de higiene e agrava no inverno.

Duas coisas a saber:

  • Esfregar com força não resolve — e costuma inflamar, deixando os pontinhos mais vermelhos do que ásperos.
  • Não tem cura, tem gestão. Ureia ou ácido láctico com aplicação constante, mais hidratante, melhoram bastante o aspecto. Parar faz voltar.

Dois mitos que valem dinheiro a muita gente

A escovagem a seco

Escovar o corpo a seco com uma escova de cerdas, alegadamente para «estimular a drenagem linfática» e «eliminar toxinas».

É agradável, esfolia à superfície e a vermelhidão imediata é vasodilatação — real, mas passageira. Não há evidência de que altere o sistema linfático nem de que elimine coisa nenhuma, e o corpo não tem «toxinas» à espera de serem escovadas: tem fígado e rins. Em pele seca ou reactiva, a escovagem vigorosa faz mais mal do que bem.

Os esfoliantes de café e a celulite

A cafeína aplicada na pele tem algum efeito documentado — sobretudo desidratação local temporária do tecido, o que pode dar um aspecto momentaneamente mais liso. Momentaneamente.

A celulite é uma questão de arquitectura: septos fibrosos que atravessam a gordura subcutânea e a puxam. Nada que se esfregue por fora altera essa estrutura, e nenhum esfoliante a elimina.

Isto não torna um esfoliante de café um mau produto — a textura do café moído é boa, o cheiro é excelente e a massagem é agradável. Torna-o um esfoliante, que é o que ele é.

Quando não esfoliar, de todo

  • Sobre escaldão ou pele queimada
  • Sobre eczema, psoríase em placa activa ou dermatite
  • Em pele com feridas, cortes ou borbulhas inflamadas
  • Imediatamente antes ou depois de depilar com lâmina ou cera — deixe 24 horas
  • Antes de exposição solar prolongada

Como se faz, sem complicar

  1. Pele húmida, no duche, com água morna e não quente.
  2. Movimentos circulares, sem pressão. A pressão não esfolia mais — magoa mais. Quem faz a força é o grão, não a mão.
  3. Trinta segundos a um minuto por zona chega e sobra.
  4. Enxaguar bem e secar sem esfregar.
  5. Hidratar logo a seguir, com a pele ainda húmida. É o passo que dá o resultado, e é o que mais gente salta.

Perguntas frequentes

Esfoliar ajuda os pelos encravados?

Ajuda, e é das melhores razões para o fazer. Mas não no dia da depilação — antes ou 24 a 48 horas depois.

Posso usar o esfoliante corporal na cara?

Não. O grão é demasiado grosseiro e a pele do rosto é muito mais fina. Para a cara, veja peeling facial em casa.

Esfoliar antes ou depois do sabonete?

Depois. Limpe primeiro, esfolie a seguir, e o hidratante fica para o fim — a lógica é a mesma da ordem de aplicação.

Esfoliar faz o bronzeado durar mais ou menos?

Menos, se esfoliar com frequência depois de apanhar sol — está a remover exactamente as células pigmentadas. Antes de apanhar sol, ajuda a uniformizar.

Esfoliantes de óleo ou de gel?

Os de base oleosa deixam a pele mais confortável e sujam mais o duche. Os de base aquosa enxaguam melhor e secam mais. É preferência, não é eficácia.

E a esponja vegetal ou a luva?

Funcionam, e acumulam bactérias com uma facilidade notável. Seque-as bem entre usos e substitua com regularidade.


Na loja, os esfoliantes corporais dividem-se por grão e por base. Os de sal marinho são os mais firmes; o de café tem uma textura mais fina; e o de menta com karité e jojoba traz gordura na própria fórmula, o que resolve o passo do hidratante em parte.

Estão todos em esfoliantes corporais. E o passo que dá o resultado — hidratar logo a seguir, com a pele húmida — está em hidratação corporal.

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