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Peeling facial em casa: o que dá e o que não dá

Esfoliação química facial — peeling suave de uso doméstico

«Pele nova em sete dias.» É a promessa que vende peelings, e é a que mais peles estraga. A esfoliação química funciona mesmo — só que funciona devagar, em percentagens modestas, e sobretudo funciona quando se resiste à tentação de aumentar a dose.

Este artigo é sobre a diferença entre os dois tipos de peeling que existem, e sobre qual deles tem lugar na sua casa de banho.

Esfoliação química não é esfregar

Há duas formas de tirar células mortas da pele.

A física é a do grão: um esfoliante que se esfrega. Funciona à superfície e depende inteiramente da força da mão — razão pela qual tanta gente se magoa com ela sem dar por isso.

A química não esfrega nada. Usa ácidos que dissolvem a «cola» que prende as células mortas umas às outras, deixando-as soltar-se sozinhas. É mais uniforme, mais controlável e, feita bem, mais suave do que qualquer grão.

Chamar-lhe «peeling» assusta as pessoas. É só isto.

Os ácidos que interessam

AHA — solúveis em água, trabalham à superfície

São os da textura e da luz. Bons para pele baça, áspera, com manchas ou linhas finas.

  • Glicólico — a molécula mais pequena de todas, logo a que penetra mais e a que mais irrita. É o mais eficaz e o mais fácil de exagerar.
  • Láctico — molécula maior, penetra menos, hidrata enquanto esfolia. O mais sensato para quem está a começar.
  • Mandélico — a maior das três, a mais lenta e a mais gentil. A escolha para pele sensível ou mais escura, onde o risco de manchas pós-inflamatórias é maior.

Repare no padrão: quanto maior a molécula, mais devagar e mais seguro. Começar pelo glicólico porque é o mais famoso é o erro mais comum.

BHA — solúvel em óleo, entra no poro

O ácido salicílico é o único que atravessa o sebo. É por isso que é o ácido dos pontos negros, dos poros dilatados e da pele oleosa — os AHA não chegam lá dentro, ele chega.

Tem ainda uma propriedade anti-inflamatória que os AHA não têm, o que o torna mais tolerável em pele com borbulhas.

PHA — a versão mais lenta de todas

Gluconolactona e lactobionato. Moléculas grandes de mais para penetrar fundo, o que os torna a opção de quem tem rosácea, eczema ou pele muito reactiva. Resultado modesto, risco quase nulo.

Consultório e casa não são a mesma coisa

Esta é a distinção que a publicidade apaga de propósito.

Um peeling médico usa concentrações altas e pH baixo, faz descamar a pele durante dias e é feito por quem sabe neutralizar o ácido à hora certa. Trata coisas a sério — cicatrizes, melasma, fotoenvelhecimento marcado.

Um produto de uso doméstico anda tipicamente entre 2% e 10%, com pH mais alto e efeito cumulativo. Não faz a pele descamar aos bocãos, e não é suposto fazer.

O problema começa quando alguém compra online um ácido de percentagem clínica e o usa em casa sem forma de o neutralizar. É assim que aparecem as queimaduras químicas e as manchas que demoram um ano a sair — e são mais frequentes do que se imagina.

Se o objectivo é tratar cicatrizes ou melasma, isso é consulta de dermatologia, não é compra.

Como usar sem se magoar

  1. Um ácido de cada vez. Não se acumulam produtos com ácidos diferentes na esperança de somar efeitos — soma-se irritação.
  2. Comece por duas vezes por semana, à noite. Se ao fim de duas semanas a pele estiver bem, suba para três.
  3. Nunca no mesmo dia que o retinol, a não ser que um dermatologista lhe tenha dito o contrário. Alterne noites.
  4. Pare se arder, repuxar ou descamar. Ardor breve ao aplicar é normal; ardor que persiste não é.
  5. Protector solar todos os dias, sem excepção. Ácidos deixam a pele mais sensível ao sol, e usá-los sem protecção produz exactamente as manchas que se queria tirar.

Aquele último ponto não é um aviso de rodapé. É a condição para o resto fazer sentido — e se ainda tem dúvidas sobre qual escolher, veja protector solar mineral ou químico.

Sinais de que exagerou

A pele esfoliada de mais não fica «mais limpa». Fica assim:

  • brilhante de uma maneira estranha, quase envernizada
  • a arder quando aplica qualquer coisa, até água
  • vermelha e a repuxar ao fim do dia
  • com borbulhas pequenas que não existiam antes
  • mais oleosa do que era — sinal de barreira comprometida

Se reconhece dois destes, pare com tudo o que é activo durante duas semanas. Só limpeza suave, hidratante e protector solar. A pele recupera sozinha se a deixarem.

Quem deve ter cuidado

  • Gravidez e amamentação — fale com o médico antes de usar ácidos
  • Rosácea, eczema, dermatite — PHA no máximo, e só com aconselhamento
  • Pele com feridas ou queimadura solar — esperar
  • Quem faz tratamento com isotretinoína — não, e por bastante tempo depois
  • Tons de pele mais escuros — maior risco de hiperpigmentação pós-inflamatória; prefira mandélico ou PHA e vá devagar

Perguntas frequentes

Peeling químico e esfoliação química são o mesmo?

Tecnicamente sim, mas o uso separou-os: «peeling» costuma referir-se ao procedimento de consultório, e «esfoliação química» ao produto de casa. É a mesma química em doses muito diferentes.

De quanto em quanto tempo se vê diferença?

Na textura e na luz, duas a quatro semanas. Em manchas, três meses ou mais — e nunca completamente sem protector solar.

Posso usar ácidos e vitamina C?

Pode, em alturas diferentes: vitamina C de manhã, ácidos à noite. No mesmo momento, um anula parte do outro e irrita mais.

E ácidos com bakuchiol?

O bakuchiol é bastante mais tolerável do que o retinol e a combinação costuma correr bem — mas o princípio mantém-se: introduza um de cada vez.

Preciso mesmo de esfoliar?

Não. A pele renova-se sozinha. Esfoliar acelera e melhora o aspecto de peles baças, ásperas ou congestionadas — não é uma obrigação de rotina.


Na Nõma não vendemos peelings de percentagem clínica, e é uma escolha, não uma falha de catálogo. O que temos é a esfoliação suave e continuada: o tónico purificante com BHA e centella, para poros e pele oleosa, e o gel esfoliante iluminador para quando a pele está baça. Os dois estão na colecção de cuidados de rosto.

Se quiser o outro lado desta conversa, leia retinol e bakuchiol — o activo que trabalha por dentro, enquanto os ácidos trabalham por fora.

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Preciso de produtos «para homem»? Não. Precisa de produtos adequados à sua pele. A única especificidade real é o barbear — e o que ele pede é hidratação antes e depois, não uma embalagem preta. Posso usar retinol se me barbeio? Pode, com cuidado: barbear e retinóide são duas agressões à mesma barreira. Comece em dias alternados e nunca aplique logo a seguir ao barbear. Está explicado em retinol. Os encravados podem infectar? Podem. Se houver pus abundante, dor ou vermelhidão a alastrar, isso é foliculite e é assunto médico — não é caso para insistir com esfoliantes. E se os encravados não passam? Um dermatologista tem opções que não estão numa loja — desde tópicos queratolíticos até laser, que é hoje a via mais eficaz nos casos persistentes. Desodorizante natural funciona para quem transpira muito? Funciona no odor, que é o que ele trata. Não é antitranspirante — não reduz a transpiração. É uma distinção importante e está em desodorizante sem alumínio. Na loja, o que faz sentido aqui é curto. Uma limpeza suave, um hidratante que não incomode depois do barbear, e protecção solar. Para a barba, os óleos vegetais puros de um só ingrediente funcionam tão bem como qualquer «óleo de barba» — e sabe-se o que lá está dentro. E nos desodorizantes, o Clean For Men com louro, manuka e toranja e a linha Active, de força extra, são os que fazem mais sentido para quem treina.