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Olheiras: os três tipos, e o que funciona em cada um

Eye patches em hidrogel aplicados sob os olhos, para iluminar o contorno ocular

Poucas queixas de pele são tão comuns e tão mal resolvidas como as olheiras. A razão é simples e quase nunca é dita: não são uma coisa só. São três coisas diferentes, com causas diferentes, e um creme que ajuda numa não faz absolutamente nada nas outras.

Antes de comprar seja o que for, vale a pena saber quais tem.

O teste dos dez segundos

Ponha-se em frente ao espelho, com boa luz.

  1. Estique suavemente a pele por baixo do olho, com um dedo, para o lado. Se a cor desaparece ou clareia muito, são olheiras vasculares.
  2. Se a cor se mantém com a pele esticada, são pigmentares.
  3. Incline a cabeça para trás, ou levante a luz acima da cara. Se a escuridão desaparece quando a luz muda de ângulo, é sombra — estrutural.

Muita gente tem duas ao mesmo tempo. Mas saber qual domina muda tudo o que vem a seguir.

1. Vasculares — as azuladas ou arroxeadas

A pele do contorno dos olhos é a mais fina do corpo: menos de meio milímetro em algumas zonas. Por baixo dela passa uma rede densa de vasos, e o sangue com pouco oxigénio que aí circula lê-se através da pele como azul ou roxo.

Não é sujidade nem cansaço acumulado — é anatomia a ver-se. Agrava com noites curtas, desidratação, álcool, sal a mais, alergias e, sobretudo, genética. Pele muito clara mostra-as mais.

O que ajuda: dormir, frio (contrai os vasos e reduz temporariamente), cafeína tópica, hidratação da zona, tratar alergias se for o caso. Tudo isto atenua — nenhum elimina.

Quem lhe prometer que um creme lhe apaga olheiras vasculares está a prometer que lhe engrossa a pele. Não acontece.

2. Pigmentares — as castanhas

Aqui há melanina a mais na própria pele. É mais frequente em tons de pele morenos e mediterrânicos, tem forte componente genética, e agrava com sol e com fricção — esfregar os olhos por alergia ou por hábito é das causas mais subestimadas.

Estas são as únicas que respondem bem a activos, e respondem devagar:

  • Vitamina C — interfere na produção de melanina
  • Niacinamida — trava a transferência de pigmento para as células
  • Protector solar — sem isto, o resto é tempo perdido. A zona dos olhos costuma ser a que se esquece, e é a que mais precisa.
  • Parar de esfregar os olhos

Conte três meses. É lento, mas é real.

3. Estruturais — as que são sombra

Esta é a que mais dinheiro faz gastar em vão.

Com a idade, a almofada de gordura que preenchia a zona sob o olho desce e perde volume, e forma-se um sulco. Esse sulco projecta uma sombra. Não há pigmento, não há vaso — há um relevo, e a luz faz o resto.

Sejamos claros: nenhum creme corrige uma sombra. É volume que falta, e volume só se repõe com preenchimento ou cirurgia — decisões médicas, com riscos próprios, que se tomam com um médico e não com uma loja.

O que um bom creme faz nesta zona é hidratar e melhorar a qualidade da pele, o que suaviza ligeiramente a transição. É honesto dizer que é pouco.

Papos não são olheiras

Confundem-se e são outra coisa: retenção de líquido, pior de manhã, pior depois de sal, álcool ou choro, e melhor ao longo do dia.

Respondem a frio, a drenagem e a dormir com a cabeça ligeiramente mais alta. A massagem na direcção certa ajuda bastante — explicamos os gestos em gua sha, e a zona dos olhos é precisamente a que exige menos pressão de todas.

Papos permanentes, que não desincham durante o dia, já são hernéia de gordura — e essa é conversa de médico.

O que não funciona

  • Pepino — o que ajuda é o frio. Uma colher no frigorífico faz o mesmo.
  • Pasta de dentes — irrita uma das peles mais finas do corpo. Não.
  • Creme para hemorróidas — circula há anos; contrai vasos por umas horas e pode causar irritação séria tão perto do olho.
  • Beber três litros de água — a desidratação agrava, mas hidratar em excesso não clareia nada.
  • Esfoliar a zona — pele demasiado fina; piora a pigmentação por fricção.

O que fazer, na prática

  1. Descubra o tipo com o teste do espelho.
  2. Protector solar na zona, todos os dias, seja qual for o tipo.
  3. Frio de manhã, se há papos ou tom azulado.
  4. Activos só se for pigmentar — vitamina C e niacinamida, com paciência.
  5. Não esfregar os olhos. Se tem alergia, trate a alergia.
  6. Dormir. Sem graça nenhuma, é das medidas mais eficazes.

Quando falar com um médico

  • Olheira que aparece de repente, só de um lado
  • Inchaço com dor, vermelhidão ou febre
  • Papos permanentes que não desincham durante o dia
  • Cansaço persistente associado — pode haver anemia ou problema de tiroide por trás

Perguntas frequentes

Dormir mais resolve?

Ajuda muito nas vasculares e nos papos. Nas pigmentares e nas de sombra, quase nada — e é por isso que tanta gente dorme bem e continua com olheiras.

A cafeína funciona?

Funciona, e é temporária: contrai vasos e reduz inchaço durante algumas horas. Útil de manhã, sem efeito acumulado.

Desde que idade se cuida do contorno?

Quando começar a fazer sentido para si. Não há idade a partir da qual seja obrigatório — e há muito marketing a dizer o contrário.

Preciso mesmo de um creme só para os olhos?

Nem sempre. O que importa é a textura ser tolerada nessa zona e não levar activos fortes de mais. Um creme de contorno bem formulado é sobretudo um creme suave.

Maquilhagem piora?

Não. Removê-la a esfregar, sim — a fricção repetida é das causas de pigmentação nesta zona. Dissolva com produto e limpe sem esfregar.


Da nossa prateleira, para esta zona: os eye patches em hidrogel com ginseng, que actuam em trinta minutos e são sobretudo bons no frio, na hidratação e no aspecto descansado; e o creme de contorno de olhos, com karité, jojoba, albízia e vitaminas C e E, para o cuidado diário.

Nenhum dos dois apaga uma sombra estrutural, e não os vendemos como tal. Estão na colecção contorno de olhos.

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Preciso de produtos «para homem»? Não. Precisa de produtos adequados à sua pele. A única especificidade real é o barbear — e o que ele pede é hidratação antes e depois, não uma embalagem preta. Posso usar retinol se me barbeio? Pode, com cuidado: barbear e retinóide são duas agressões à mesma barreira. Comece em dias alternados e nunca aplique logo a seguir ao barbear. Está explicado em retinol. Os encravados podem infectar? Podem. Se houver pus abundante, dor ou vermelhidão a alastrar, isso é foliculite e é assunto médico — não é caso para insistir com esfoliantes. E se os encravados não passam? Um dermatologista tem opções que não estão numa loja — desde tópicos queratolíticos até laser, que é hoje a via mais eficaz nos casos persistentes. Desodorizante natural funciona para quem transpira muito? Funciona no odor, que é o que ele trata. Não é antitranspirante — não reduz a transpiração. É uma distinção importante e está em desodorizante sem alumínio. Na loja, o que faz sentido aqui é curto. Uma limpeza suave, um hidratante que não incomode depois do barbear, e protecção solar. Para a barba, os óleos vegetais puros de um só ingrediente funcionam tão bem como qualquer «óleo de barba» — e sabe-se o que lá está dentro. E nos desodorizantes, o Clean For Men com louro, manuka e toranja e a linha Active, de força extra, são os que fazem mais sentido para quem treina.