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As manchas são, de longe, a queixa de pele mais difícil de resolver — e a mais prometida em vão. Há uma razão dupla para isso: exigem meses de constância, e nem todas são a mesma coisa.
Começamos por aí, porque tratar a mancha errada é a forma mais rápida de perder um ano.
Quatro coisas diferentes
Hiperpigmentação pós-inflamatória
A marca escura que fica depois de uma borbulha, de um arranhão, de uma queimadura ou de uma depilação. A pele inflamou e produziu pigmento a mais na zona.
É a que melhor responde. Desaparece sozinha com o tempo — meses — e acelera-se com activos e protecção solar.
Manchas solares
Castanhas, de contorno definido, no rosto, nas mãos e no decote. São sol acumulado ao longo de anos, e por isso aparecem sobretudo a partir dos quarenta — embora o dano tenha sido feito muito antes.
Respondem de forma moderada, e com paciência.
Melasma
Manchas acastanhadas ou acinzentadas, simétricas, tipicamente nas maçãs do rosto, na testa e sobre o lábio superior. Tem componente hormonal forte — gravidez, contraceptivos — e agrava com sol e com calor.
É crónico e recidivante: controla-se, não se cura. E é matéria de dermatologia, não de prateleira. Damos-lhe secção própria mais abaixo.
Sardas
Genéticas, escurecem com o sol e clareiam no inverno. Não são um defeito nem precisam de tratamento — ficam aqui só para não serem confundidas com o resto.
A regra que vale para todas
Se sair daqui com uma só ideia, que seja esta: sem protector solar diário, todo o resto é tempo e dinheiro perdidos.
Não é exagero retórico. Os activos clareadores trabalham a travar a produção de pigmento; o sol estimula-a. Sem filtro, está a desfazer de dia o que fez de noite — e a maioria das pessoas que diz que «nada resulta nas manchas» está exactamente nesta situação.
Todos os dias, todo o ano, mesmo com nuvens, e reaplicado. Qual escolher está em protector solar mineral ou químico.
O que ajuda mesmo
- Vitamina C — antioxidante e interfere na produção de melanina. De manhã, debaixo do filtro.
- Niacinamida — trava a transferência de pigmento para as células da superfície. Das mais bem toleradas.
- Retinóides — aceleram a renovação e ajudam a dispersar o pigmento. À noite.
- Ácidos — removem células pigmentadas à superfície. Com moderação: em excesso inflamam, e a inflamação faz mais mancha.
- Ácido azelaico — dos mais eficazes em manchas e melasma, e bem tolerado na gravidez. Não o vendemos; pergunte ao seu dermatologista ou na farmácia.
Note o último ponto. Preferimos indicá-lo do que fingir que a nossa prateleira tem resposta para tudo.
Melasma: porque é diferente
Vale a pena separar, porque muita gente trata melasma como se fosse mancha solar e piora-o.
Não é só sol. O melasma responde também a calor e a luz visível — a do sol que passa pela janela, e mesmo a dos ecrãs, em menor grau. É por isso que um filtro que só cobre UV pode não chegar: nestes casos, os filtros minerais com óxidos de ferro, os das fórmulas com cor, oferecem protecção adicional contra luz visível.
Tem componente hormonal. Aparece frequentemente na gravidez — daí o nome antigo, «máscara da gravidez» — e pode surgir ou agravar com contraceptivos hormonais. Isso conversa-se com o médico, não se resolve com creme.
Recidiva. Melhora no inverno, volta no verão. Quem espera cura fica desiludido; quem percebe que é gestão contínua lida muito melhor com ele.
E irrita-se com facilidade. Peelings agressivos, esfoliação a mais, lâser mal indicado — tudo isso inflama, e a inflamação produz mais pigmento. No melasma, ser suave não é ser lento: é ser eficaz.
Se suspeita de melasma, marque dermatologia. Há tratamentos que resultam e que não estão à venda em lado nenhum sem receita.
O que piora
- Sol sem filtro — a causa número um, com distância
- Espremer borbulhas — cada uma pode deixar uma marca de meses; ver pontos negros e poros dilatados
- Esfoliar de mais — inflamação gera pigmento
- Limão na cara — receita caseira que circula há décadas e provoca queimaduras com o sol. Nunca.
- Calor directo — saunas e cozinhas quentes agravam melasma
- Clareadores fortes sem acompanhamento — usados às cegas podem deixar manchas permanentes
Quanto tempo demora
- Marcas de borbulhas — dois a seis meses
- Manchas solares — seis meses a um ano, com resultado parcial
- Melasma — não se conta em meses; conta-se em verões
Qualquer produto que prometa apagar manchas em duas semanas está a prometer o que a biologia da pele não permite.
Quando é urgente ver um médico
Esta parte não é sobre estética.
Procure um médico sem esperar se uma mancha ou sinal:
- mudou de tamanho, forma ou cor
- tem contorno irregular ou várias cores
- sangra, cria crosta ou faz comichão persistente
- é muito diferente de todos os outros sinais que tem
- apareceu de novo depois dos quarenta e está a crescer
Nenhum cosmético se aplica a isto. É avaliação médica, e quanto mais cedo melhor.
Perguntas frequentes
Posso usar vitamina C e retinóide?
Sim, em alturas diferentes: vitamina C de manhã, retinóide à noite.
As manchas voltam se parar?
As solares e o melasma, sim, com exposição. As marcas de borbulhas, uma vez resolvidas, não voltam — a menos que apareçam borbulhas novas.
Faz sentido tratar manchas no verão?
Faz, mas é a pior altura para começar com activos fortes. Muita gente prefere iniciar no outono.
Maquilhagem com cor ajuda?
Ajuda a disfarçar e, se tiver óxidos de ferro, protege de luz visível — o que no melasma conta mesmo.
E na gravidez?
Retinóides estão fora. Protector solar, vitamina C e ácido azelaico costumam ser as opções — mas confirme tudo com o seu médico.
Da nossa prateleira, e por esta ordem de importância: o protector solar SPF50, que é o único item verdadeiramente indispensável desta lista; o sérum de vitamina C para a manhã; e o sérum noturno renovador, com retinóide suave e ácidos de frutos, para a noite.
Para melasma, o nosso conselho é outro: comece por uma consulta. A cosmética acompanha o tratamento — não o substitui.
