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Manchas na pele e melasma: o que resulta e o que piora

Protetor solar SPF50 natural — a base de qualquer tratamento de manchas na pele

As manchas são, de longe, a queixa de pele mais difícil de resolver — e a mais prometida em vão. Há uma razão dupla para isso: exigem meses de constância, e nem todas são a mesma coisa.

Começamos por aí, porque tratar a mancha errada é a forma mais rápida de perder um ano.

Quatro coisas diferentes

Hiperpigmentação pós-inflamatória

A marca escura que fica depois de uma borbulha, de um arranhão, de uma queimadura ou de uma depilação. A pele inflamou e produziu pigmento a mais na zona.

É a que melhor responde. Desaparece sozinha com o tempo — meses — e acelera-se com activos e protecção solar.

Manchas solares

Castanhas, de contorno definido, no rosto, nas mãos e no decote. São sol acumulado ao longo de anos, e por isso aparecem sobretudo a partir dos quarenta — embora o dano tenha sido feito muito antes.

Respondem de forma moderada, e com paciência.

Melasma

Manchas acastanhadas ou acinzentadas, simétricas, tipicamente nas maçãs do rosto, na testa e sobre o lábio superior. Tem componente hormonal forte — gravidez, contraceptivos — e agrava com sol e com calor.

É crónico e recidivante: controla-se, não se cura. E é matéria de dermatologia, não de prateleira. Damos-lhe secção própria mais abaixo.

Sardas

Genéticas, escurecem com o sol e clareiam no inverno. Não são um defeito nem precisam de tratamento — ficam aqui só para não serem confundidas com o resto.

A regra que vale para todas

Se sair daqui com uma só ideia, que seja esta: sem protector solar diário, todo o resto é tempo e dinheiro perdidos.

Não é exagero retórico. Os activos clareadores trabalham a travar a produção de pigmento; o sol estimula-a. Sem filtro, está a desfazer de dia o que fez de noite — e a maioria das pessoas que diz que «nada resulta nas manchas» está exactamente nesta situação.

Todos os dias, todo o ano, mesmo com nuvens, e reaplicado. Qual escolher está em protector solar mineral ou químico.

O que ajuda mesmo

  • Vitamina C — antioxidante e interfere na produção de melanina. De manhã, debaixo do filtro.
  • Niacinamida — trava a transferência de pigmento para as células da superfície. Das mais bem toleradas.
  • Retinóides — aceleram a renovação e ajudam a dispersar o pigmento. À noite.
  • Ácidos — removem células pigmentadas à superfície. Com moderação: em excesso inflamam, e a inflamação faz mais mancha.
  • Ácido azelaico — dos mais eficazes em manchas e melasma, e bem tolerado na gravidez. Não o vendemos; pergunte ao seu dermatologista ou na farmácia.

Note o último ponto. Preferimos indicá-lo do que fingir que a nossa prateleira tem resposta para tudo.

Melasma: porque é diferente

Vale a pena separar, porque muita gente trata melasma como se fosse mancha solar e piora-o.

Não é só sol. O melasma responde também a calor e a luz visível — a do sol que passa pela janela, e mesmo a dos ecrãs, em menor grau. É por isso que um filtro que só cobre UV pode não chegar: nestes casos, os filtros minerais com óxidos de ferro, os das fórmulas com cor, oferecem protecção adicional contra luz visível.

Tem componente hormonal. Aparece frequentemente na gravidez — daí o nome antigo, «máscara da gravidez» — e pode surgir ou agravar com contraceptivos hormonais. Isso conversa-se com o médico, não se resolve com creme.

Recidiva. Melhora no inverno, volta no verão. Quem espera cura fica desiludido; quem percebe que é gestão contínua lida muito melhor com ele.

E irrita-se com facilidade. Peelings agressivos, esfoliação a mais, lâser mal indicado — tudo isso inflama, e a inflamação produz mais pigmento. No melasma, ser suave não é ser lento: é ser eficaz.

Se suspeita de melasma, marque dermatologia. Há tratamentos que resultam e que não estão à venda em lado nenhum sem receita.

O que piora

  • Sol sem filtro — a causa número um, com distância
  • Espremer borbulhas — cada uma pode deixar uma marca de meses; ver pontos negros e poros dilatados
  • Esfoliar de mais — inflamação gera pigmento
  • Limão na cara — receita caseira que circula há décadas e provoca queimaduras com o sol. Nunca.
  • Calor directo — saunas e cozinhas quentes agravam melasma
  • Clareadores fortes sem acompanhamento — usados às cegas podem deixar manchas permanentes

Quanto tempo demora

  • Marcas de borbulhas — dois a seis meses
  • Manchas solares — seis meses a um ano, com resultado parcial
  • Melasma — não se conta em meses; conta-se em verões

Qualquer produto que prometa apagar manchas em duas semanas está a prometer o que a biologia da pele não permite.

Quando é urgente ver um médico

Esta parte não é sobre estética.

Procure um médico sem esperar se uma mancha ou sinal:

  • mudou de tamanho, forma ou cor
  • tem contorno irregular ou várias cores
  • sangra, cria crosta ou faz comichão persistente
  • é muito diferente de todos os outros sinais que tem
  • apareceu de novo depois dos quarenta e está a crescer

Nenhum cosmético se aplica a isto. É avaliação médica, e quanto mais cedo melhor.

Perguntas frequentes

Posso usar vitamina C e retinóide?

Sim, em alturas diferentes: vitamina C de manhã, retinóide à noite.

As manchas voltam se parar?

As solares e o melasma, sim, com exposição. As marcas de borbulhas, uma vez resolvidas, não voltam — a menos que apareçam borbulhas novas.

Faz sentido tratar manchas no verão?

Faz, mas é a pior altura para começar com activos fortes. Muita gente prefere iniciar no outono.

Maquilhagem com cor ajuda?

Ajuda a disfarçar e, se tiver óxidos de ferro, protege de luz visível — o que no melasma conta mesmo.

E na gravidez?

Retinóides estão fora. Protector solar, vitamina C e ácido azelaico costumam ser as opções — mas confirme tudo com o seu médico.


Da nossa prateleira, e por esta ordem de importância: o protector solar SPF50, que é o único item verdadeiramente indispensável desta lista; o sérum de vitamina C para a manhã; e o sérum noturno renovador, com retinóide suave e ácidos de frutos, para a noite.

Para melasma, o nosso conselho é outro: comece por uma consulta. A cosmética acompanha o tratamento — não o substitui.

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Uma substituição num gene de queratina específico do folículo piloso está associada a um risco seis vezes maior de desenvolver a condição. Não é falta de técnica. Deixa marcas. Hiperpigmentação pós-inflamatória é comum, sobretudo em pele mais escura, e em casos persistentes podem formar-se quelóides. Não é uma questão estética passageira. E aqui é que os dois conselhos clássicos falham Uma revisão publicada em 2016 no International Journal of Cosmetic Science foi verificar a base das recomendações habituais. A conclusão é directa: «há falta de evidência clínica robusta que sustente as recomendações de evitar ou reduzir o barbear, ou de se barbear com uma lâmina de gume único.» Mais do que isso: os autores citam evidência clínica de que a pseudofoliculite não é agravada pelo barbear diário com lâmina multilâminas, quando feito como parte de um regime — e evidência preliminar de que um regime diário com hidratação antes e hidratação depois pode até ser benéfico. 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Preciso de produtos «para homem»? Não. Precisa de produtos adequados à sua pele. A única especificidade real é o barbear — e o que ele pede é hidratação antes e depois, não uma embalagem preta. Posso usar retinol se me barbeio? Pode, com cuidado: barbear e retinóide são duas agressões à mesma barreira. Comece em dias alternados e nunca aplique logo a seguir ao barbear. Está explicado em retinol. Os encravados podem infectar? Podem. Se houver pus abundante, dor ou vermelhidão a alastrar, isso é foliculite e é assunto médico — não é caso para insistir com esfoliantes. E se os encravados não passam? Um dermatologista tem opções que não estão numa loja — desde tópicos queratolíticos até laser, que é hoje a via mais eficaz nos casos persistentes. Desodorizante natural funciona para quem transpira muito? Funciona no odor, que é o que ele trata. Não é antitranspirante — não reduz a transpiração. É uma distinção importante e está em desodorizante sem alumínio. Na loja, o que faz sentido aqui é curto. Uma limpeza suave, um hidratante que não incomode depois do barbear, e protecção solar. Para a barba, os óleos vegetais puros de um só ingrediente funcionam tão bem como qualquer «óleo de barba» — e sabe-se o que lá está dentro. E nos desodorizantes, o Clean For Men com louro, manuka e toranja e a linha Active, de força extra, são os que fazem mais sentido para quem treina.